Aquele que te dou sempre
E que dou sem que o peças
Aquele que é teu por direito
Conquistado passo a passo
Em cada sorriso, em cada momento
Aquele abraço… o ABRAÇO…
Esse abraço que é só teu… só meu… só nosso
Já que nossos são os braços que se abraçam…
…os cheiros que se misturam…
…os olhos que se cruzam…
…os sentimentos que os despertam.
Aquele abraço que me deste… que me dás…
Aquele que te dei e que te dou…
Esse abraço está sempre aqui à tua espera…
…à nossa espera… só nosso... tão nosso…
Esse abraço onde dizemos tudo…
Onde sentimos tudo…
Onde vivemos tudo…
Onde somos tudo que sonhamos ser.
por Isabel Reis
"Retratos" do mundo, da alma, de sentimentos, que decidi captar em palavras. Espero que gostem, este blogue é apenas um complemento dos livros que publico... penso, vejo e sinto muito que não vem publicado em páginas de livros, mas que gosto de partilhar com quem gosta de receber. Beijos em todos que aqui passam e nos que não passam também... e como diz o outro... "Façam o favor de ser felizes" Isabel Reis
sábado, 3 de julho de 2010
Perdida de mim...
Perdida de mim...
…encontro-me na noite entre silêncios e vazios
Dou comigo em sorrisos que não sinto
Em espaços que já não reconheço
Em mundos que foram meus…
…mas já não são…
Chamo-me baixinho…
Tento ouvir-me neste silêncio tão sonoro…
É difícil… não desisto e chamo outra vez…
Lá me ouço e dou conta de onde estou…
Estou presa num passado que teimo em guardar
…e me faz parar… deixar tudo…
Sinto um futuro fugir-me entre os dedos
Enquanto tento à força agarrar este presente que me foge…
Estou presa a coisas que senti e já não sinto mais
Presa num engano pela saudade do que um dia foi…
…mas já não é…
Presa na confusão que em mim mora
Deixo a vida passar-me ao lado
Deixo-a viver sem mim...
Recuso levantar-me para a resgatar.
Nesta inércia absurda que me retém
Olho-me nos olhos… vejo a verdade e choro
Falo comigo… forço-me a encarar a realidade…
…e percebo…
Não quero saber do passado
O passado nada é mais que uma recordação…
…e percebo…
Não tenho medo do futuro
O futuro é a incógnita… o sonho… o objectivo…
…e percebo…
Tenho medo é do presente porque é bom
Tenho medo de o perder por ser tão bom
E quando as coisas não correm tão bem
Porque até o bom tem dias maus
Aí eu fujo…
…fujo no medo de o poder perder…
E no medo de o poder perder
Deixo-o ir… E acabo mesmo por o perder.
por Isabel Reis
todos os direitos reservados
…encontro-me na noite entre silêncios e vazios
Dou comigo em sorrisos que não sinto
Em espaços que já não reconheço
Em mundos que foram meus…
…mas já não são…
Chamo-me baixinho…
Tento ouvir-me neste silêncio tão sonoro…
É difícil… não desisto e chamo outra vez…
Lá me ouço e dou conta de onde estou…
Estou presa num passado que teimo em guardar
…e me faz parar… deixar tudo…
Sinto um futuro fugir-me entre os dedos
Enquanto tento à força agarrar este presente que me foge…
Estou presa a coisas que senti e já não sinto mais
Presa num engano pela saudade do que um dia foi…
…mas já não é…
Presa na confusão que em mim mora
Deixo a vida passar-me ao lado
Deixo-a viver sem mim...
Recuso levantar-me para a resgatar.
Nesta inércia absurda que me retém
Olho-me nos olhos… vejo a verdade e choro
Falo comigo… forço-me a encarar a realidade…
…e percebo…
Não quero saber do passado
O passado nada é mais que uma recordação…
…e percebo…
Não tenho medo do futuro
O futuro é a incógnita… o sonho… o objectivo…
…e percebo…
Tenho medo é do presente porque é bom
Tenho medo de o perder por ser tão bom
E quando as coisas não correm tão bem
Porque até o bom tem dias maus
Aí eu fujo…
…fujo no medo de o poder perder…
E no medo de o poder perder
Deixo-o ir… E acabo mesmo por o perder.
por Isabel Reis
todos os direitos reservados
sexta-feira, 11 de junho de 2010
Com vontade de ti - parte 2
Regresso à realidade…
Passada uma semana desde aquela noite e já não sabia estar sem ti… como se fizesses parte do meu ser, como se precisasse de ti para sobreviver. Acordava pela manhã e ainda antes de abrir os olhos para o mundo já sentia aquela vontade de te sentir, de te respirar… de te ter em mim. Tudo que tinha vivido até ali me parecia agora tão distante e sem sentido, que quase parecia ter sido a realidade de outra pessoa qualquer menos a minha.
Ainda lembrava nitidamente aquele cheiro da tua pele pela manhã, um misto de paixão recente, com um toque leve do café com leite que tinhas acabado de fazer quando insanamente te roubei e estendi naquele balcão. E se aquele balcão falasse… que loucuras testemunhou naquele dia e nos muitos que lhe sucederam durante aquela semana… nunca mais o consegui olhar sem sorrir, sem me lembrar de ti vulnerável a olhar-me com prazer e loucura.
Uma semana inteira só para nós… tu de férias tinhas todo o tempo do mundo para mim e para a minha loucura de ti… eu… eu lá me encarreguei de arranjar uma virose qualquer e fazer daquela semana a nossa semana… a semana das nossas vidas… acontecesse o que acontecesse no futuro… agora no presente e depois daqueles dias nunca mais nada seria igual ao que era antes… fizemos justiça à famosa expressão “Carpe Diem” e aproveitamos cada momento ao máximo e agora… agora o nosso mundo estava diferente, nós estávamos diferentes. Sem contar com isso tínhamos mudado o rumo das nossas vidas irremediavelmente…
Mas agora que a vida nos forçou a voltar à realidade, acordei hoje pela primeira vez sem o calor do teu corpo junto ao meu e um vazio estranho apoderou-se de mim. Nunca ninguém tinha tido esse efeito em mim, aliás, normalmente as minhas relações não duravam mais que umas semanas, não gostava de me sentir dependente de ninguém fosse de que forma fosse… e agora, como um vício que nos agarra, senti-me ressacar perante a tua ausência. Olhei para o relógio ao lado da cama e vi que estava na hora de sair da cama. Levantei-me de ombros caídos, abri as persianas e nem a luz do sol radioso que se fazia sentir me fez sorrir… lentamente dirigi-me para a casa-de-banho, abri a água para tomar um duche e recordei o nosso primeiro banho… aquele em que nos fartamos de rir porque estiveste uns bons dez minutos à espera que a água arrefecesse antes de entrar… disseste-me que não eras camarão para cozer… eu ri e sorri… ali na banheira pude apreciar a visão de teu corpo de pé em frente ao espelho enquanto esperavas que a temperatura da água ficasse mais do teu agrado. Pude memoriza-lo ao pormenor… memorizar cada linha… cada um dos sinais que tão maravilhosamente tinhas espalhados em ti, quase como se tivessem sido desenhados.
Forcei-me a parar, tomei o duche rapidamente, vesti-me e saí para trabalhar. Cheguei à empresa sem dar pelo trânsito sequer de tal forma o meu pensamento voava constantemente até ti e ao que estarias a fazer naquele momento, se já estarias acordada ou se ainda preguiçavas lentamente, nua como era teu hábito, apenas enroscada nos lençóis… que visão era ver-te dormir. Apesar de tudo fui uma das primeiras pessoas a chegar, pousei as coisas no escritório e fui tomar um café para ver se acordava de uma vez, já que o duche não tinha tido esse efeito. Ao chegar à máquina já lá estava uma das colegas que costumava ser tão madrugadora quanto eu.
- Bom dia Fernanda… disse eu.
- Bom dia, então como está?
Por momentos nem percebi a pergunta, mas rapidamente percebi que se referia à alegada virose que me tinha feito ficar em casa.
- Estou melhor sim… obrigado. Foi apenas mais uma dessas viroses tão típicas nesta altura do ano.
- Pois eu sei, lá por casa os meus filhos também já andam, sabe como é nas escolas, não escapa ninguém, não tarda estou eu também.
Mas não, não sabia… trinta e cinco anos e não tinha nada e nem nunca tinha tido ninguém a sério… muito menos filhos. Nunca tinha mudado uma fralda ou aquecido um biberão, mas o certo é que nunca tinha reparado nisso até aquele momento. Até agora a carreira era realmente o principal objectivo da minha existência, dedicava-me à advocacia por inteiro e a justiça criminal dava-me um gozo fenomenal… agarra-me a cada processo com unhas e dentes e gostava dos casos difíceis, aqueles que não agradavam a ninguém, mas que fazer, sou mesmo assim, gosto de desafios.
Acabei a conversa de circunstância com a Fernanda, tomei o meu café e regressei à minha sala. Uma semana era tempo mais do que suficiente para empilhar trabalho em cima da mesa, sabia que o dia ia ser difícil… só não imaginava o quanto. Antes de enterrar a cabeça no trabalho mandei-lhe uma mensagem… a ela, à mulher que me tinha tirado do sério… à Susana… “Sinto falta do teu cheiro misturado no meu. Beijo em ti… daqueles molhados”. Ao terminar a mensagem com aquele beijo molhado senti um arrepio de excitação percorrer o meu corpo, que loucura e que mulher aquela. Bem toca a trabalhar disse para mim e enterrei a cabeça no trabalho… o fim do dia estava a chegar quando percebi que nem tinha ido almoçar, pelo menos assim tinha deixado os relatórios todos prontos, restava-me agora esperar que alguém cometesse alguma insanidade rapidamente. Até podia ser um pouco egoísta pensar assim, mas era do que eu vivia, da insanidade dos outros.
Dei uma olhadela ao telemóvel em busca de uma mensagem da Susana, já que não me tinha respondido em todo o dia, apenas para encontrar a caixa de mensagens vazia. Sei que não temos nenhum compromisso, mas desiludi-me um pouco ao perceber que não tinha sentido a minha falta após aquela semana, depois pensei apenas que podia ter acontecido alguma coisa que a impedisse de dar noticias, afinal até eu tinha passado o dia inteiro de cabeça enfiada nos papeis… senti o estômago dar sinais de vida, e apercebi-me que tinha fome, levantei-me e fui comer qualquer coisa antes de dar o dia por terminado e regressar a casa.
Estava na sala do pessoal, quando de repente a televisão desperta a minha atenção com um noticiário de última hora, no rodapé lia-se em letras garrafais “GNR PRENDE MULHER ONTEM À NOITE ACUSADA DE ASSASSINAR O MARIDO À FACADA”… sorri amargamente, enquanto ouço um dos colegas dizer…
- Bem, aqui está mais uma que acabou de abrir os olhos, deve ter descoberto que o marido a traía e em vez de lhe fazer o mesmo vai e passa-se da cabeça… podia ter sido mais inteligente realmente.
- Falta saber mesmo se foi por isso, se calhar até lhe batia… - diz outra voz.
Enquanto iam atirando motivos ao calhas eu tentava ouvir a notícia para perceber se era o caso de ir atrás do caso para mim, quando de repente mostram a fotografia da mulher presa e o meu mundo ruiu… Era ela… a Susana, a minha Susana… Só podia ser engano, não era possível. E casada então é que não era mesmo… e aí parei para pensar… afinal que sabia eu dela, durante o tempo que estivemos juntos não trocamos muitos detalhes pessoais a não ser gostos mesmo… de resto convivemos, amamo-nos, fizemos loucuras atrás de loucuras… no quarto, na sala, na cozinha… enfim… agora não era hora de pensar nisso. Susana tinha sido presa e eu tinha que ir até lá para saber porque.
Quando cheguei à esquadra, disse que queria ver a detida Susana Alves e ao apresentar o cartão da firma com a minha identificação encaminharam-me para a uma sala, onde esperei que a trouxessem. No fundo, no fundo, tremia, tal era o nervosismo e o medo perante aquela medonha realidade, mas por fora não dava a entender a mínima emoção, saber controlar as emoções tinha sido até hoje uma ferramenta muito útil na minha área. Ela entrou e mostrou-se surpresa, não contava comigo ali. Abracei-a profundamente primeiro, absorvendo o seu cheiro e sentindo a maciez do seu cabelo junto a mim, depois sem sequer a deixar sentar, olhei-a bem fundo naqueles olhos negros que me faziam perder a cabeça e perguntei friamente…
- Foste tu?
- Fui eu sim…
Respondeu-me e automaticamente deixou-se cair com um suspiro numa das cadeiras que ali estavam. Eu fiquei em branco e a única coisa que soube dizer foi…
- Mas porquê? Porquê?
- Por ti Clara, por ti… disse ela simplesmente.
E eu sentei-me atónita em busca de uma explicação plausível e a única coisa que me vinha à cabeça era que tinha sido por causa da nossa aventura nos últimos dias, afinal segundo tinham dito ela era casada, mas a verdade que iria descobrir era bem mais medonha do que podia imaginar.
Por Isabel Reis
(aqui está a continuação, espero que gostem e já sabem... enquanto quiserem eu continuo, beijinhos a todos)
Passada uma semana desde aquela noite e já não sabia estar sem ti… como se fizesses parte do meu ser, como se precisasse de ti para sobreviver. Acordava pela manhã e ainda antes de abrir os olhos para o mundo já sentia aquela vontade de te sentir, de te respirar… de te ter em mim. Tudo que tinha vivido até ali me parecia agora tão distante e sem sentido, que quase parecia ter sido a realidade de outra pessoa qualquer menos a minha.
Ainda lembrava nitidamente aquele cheiro da tua pele pela manhã, um misto de paixão recente, com um toque leve do café com leite que tinhas acabado de fazer quando insanamente te roubei e estendi naquele balcão. E se aquele balcão falasse… que loucuras testemunhou naquele dia e nos muitos que lhe sucederam durante aquela semana… nunca mais o consegui olhar sem sorrir, sem me lembrar de ti vulnerável a olhar-me com prazer e loucura.
Uma semana inteira só para nós… tu de férias tinhas todo o tempo do mundo para mim e para a minha loucura de ti… eu… eu lá me encarreguei de arranjar uma virose qualquer e fazer daquela semana a nossa semana… a semana das nossas vidas… acontecesse o que acontecesse no futuro… agora no presente e depois daqueles dias nunca mais nada seria igual ao que era antes… fizemos justiça à famosa expressão “Carpe Diem” e aproveitamos cada momento ao máximo e agora… agora o nosso mundo estava diferente, nós estávamos diferentes. Sem contar com isso tínhamos mudado o rumo das nossas vidas irremediavelmente…
Mas agora que a vida nos forçou a voltar à realidade, acordei hoje pela primeira vez sem o calor do teu corpo junto ao meu e um vazio estranho apoderou-se de mim. Nunca ninguém tinha tido esse efeito em mim, aliás, normalmente as minhas relações não duravam mais que umas semanas, não gostava de me sentir dependente de ninguém fosse de que forma fosse… e agora, como um vício que nos agarra, senti-me ressacar perante a tua ausência. Olhei para o relógio ao lado da cama e vi que estava na hora de sair da cama. Levantei-me de ombros caídos, abri as persianas e nem a luz do sol radioso que se fazia sentir me fez sorrir… lentamente dirigi-me para a casa-de-banho, abri a água para tomar um duche e recordei o nosso primeiro banho… aquele em que nos fartamos de rir porque estiveste uns bons dez minutos à espera que a água arrefecesse antes de entrar… disseste-me que não eras camarão para cozer… eu ri e sorri… ali na banheira pude apreciar a visão de teu corpo de pé em frente ao espelho enquanto esperavas que a temperatura da água ficasse mais do teu agrado. Pude memoriza-lo ao pormenor… memorizar cada linha… cada um dos sinais que tão maravilhosamente tinhas espalhados em ti, quase como se tivessem sido desenhados.
Forcei-me a parar, tomei o duche rapidamente, vesti-me e saí para trabalhar. Cheguei à empresa sem dar pelo trânsito sequer de tal forma o meu pensamento voava constantemente até ti e ao que estarias a fazer naquele momento, se já estarias acordada ou se ainda preguiçavas lentamente, nua como era teu hábito, apenas enroscada nos lençóis… que visão era ver-te dormir. Apesar de tudo fui uma das primeiras pessoas a chegar, pousei as coisas no escritório e fui tomar um café para ver se acordava de uma vez, já que o duche não tinha tido esse efeito. Ao chegar à máquina já lá estava uma das colegas que costumava ser tão madrugadora quanto eu.
- Bom dia Fernanda… disse eu.
- Bom dia, então como está?
Por momentos nem percebi a pergunta, mas rapidamente percebi que se referia à alegada virose que me tinha feito ficar em casa.
- Estou melhor sim… obrigado. Foi apenas mais uma dessas viroses tão típicas nesta altura do ano.
- Pois eu sei, lá por casa os meus filhos também já andam, sabe como é nas escolas, não escapa ninguém, não tarda estou eu também.
Mas não, não sabia… trinta e cinco anos e não tinha nada e nem nunca tinha tido ninguém a sério… muito menos filhos. Nunca tinha mudado uma fralda ou aquecido um biberão, mas o certo é que nunca tinha reparado nisso até aquele momento. Até agora a carreira era realmente o principal objectivo da minha existência, dedicava-me à advocacia por inteiro e a justiça criminal dava-me um gozo fenomenal… agarra-me a cada processo com unhas e dentes e gostava dos casos difíceis, aqueles que não agradavam a ninguém, mas que fazer, sou mesmo assim, gosto de desafios.
Acabei a conversa de circunstância com a Fernanda, tomei o meu café e regressei à minha sala. Uma semana era tempo mais do que suficiente para empilhar trabalho em cima da mesa, sabia que o dia ia ser difícil… só não imaginava o quanto. Antes de enterrar a cabeça no trabalho mandei-lhe uma mensagem… a ela, à mulher que me tinha tirado do sério… à Susana… “Sinto falta do teu cheiro misturado no meu. Beijo em ti… daqueles molhados”. Ao terminar a mensagem com aquele beijo molhado senti um arrepio de excitação percorrer o meu corpo, que loucura e que mulher aquela. Bem toca a trabalhar disse para mim e enterrei a cabeça no trabalho… o fim do dia estava a chegar quando percebi que nem tinha ido almoçar, pelo menos assim tinha deixado os relatórios todos prontos, restava-me agora esperar que alguém cometesse alguma insanidade rapidamente. Até podia ser um pouco egoísta pensar assim, mas era do que eu vivia, da insanidade dos outros.
Dei uma olhadela ao telemóvel em busca de uma mensagem da Susana, já que não me tinha respondido em todo o dia, apenas para encontrar a caixa de mensagens vazia. Sei que não temos nenhum compromisso, mas desiludi-me um pouco ao perceber que não tinha sentido a minha falta após aquela semana, depois pensei apenas que podia ter acontecido alguma coisa que a impedisse de dar noticias, afinal até eu tinha passado o dia inteiro de cabeça enfiada nos papeis… senti o estômago dar sinais de vida, e apercebi-me que tinha fome, levantei-me e fui comer qualquer coisa antes de dar o dia por terminado e regressar a casa.
Estava na sala do pessoal, quando de repente a televisão desperta a minha atenção com um noticiário de última hora, no rodapé lia-se em letras garrafais “GNR PRENDE MULHER ONTEM À NOITE ACUSADA DE ASSASSINAR O MARIDO À FACADA”… sorri amargamente, enquanto ouço um dos colegas dizer…
- Bem, aqui está mais uma que acabou de abrir os olhos, deve ter descoberto que o marido a traía e em vez de lhe fazer o mesmo vai e passa-se da cabeça… podia ter sido mais inteligente realmente.
- Falta saber mesmo se foi por isso, se calhar até lhe batia… - diz outra voz.
Enquanto iam atirando motivos ao calhas eu tentava ouvir a notícia para perceber se era o caso de ir atrás do caso para mim, quando de repente mostram a fotografia da mulher presa e o meu mundo ruiu… Era ela… a Susana, a minha Susana… Só podia ser engano, não era possível. E casada então é que não era mesmo… e aí parei para pensar… afinal que sabia eu dela, durante o tempo que estivemos juntos não trocamos muitos detalhes pessoais a não ser gostos mesmo… de resto convivemos, amamo-nos, fizemos loucuras atrás de loucuras… no quarto, na sala, na cozinha… enfim… agora não era hora de pensar nisso. Susana tinha sido presa e eu tinha que ir até lá para saber porque.
Quando cheguei à esquadra, disse que queria ver a detida Susana Alves e ao apresentar o cartão da firma com a minha identificação encaminharam-me para a uma sala, onde esperei que a trouxessem. No fundo, no fundo, tremia, tal era o nervosismo e o medo perante aquela medonha realidade, mas por fora não dava a entender a mínima emoção, saber controlar as emoções tinha sido até hoje uma ferramenta muito útil na minha área. Ela entrou e mostrou-se surpresa, não contava comigo ali. Abracei-a profundamente primeiro, absorvendo o seu cheiro e sentindo a maciez do seu cabelo junto a mim, depois sem sequer a deixar sentar, olhei-a bem fundo naqueles olhos negros que me faziam perder a cabeça e perguntei friamente…
- Foste tu?
- Fui eu sim…
Respondeu-me e automaticamente deixou-se cair com um suspiro numa das cadeiras que ali estavam. Eu fiquei em branco e a única coisa que soube dizer foi…
- Mas porquê? Porquê?
- Por ti Clara, por ti… disse ela simplesmente.
E eu sentei-me atónita em busca de uma explicação plausível e a única coisa que me vinha à cabeça era que tinha sido por causa da nossa aventura nos últimos dias, afinal segundo tinham dito ela era casada, mas a verdade que iria descobrir era bem mais medonha do que podia imaginar.
Por Isabel Reis
(aqui está a continuação, espero que gostem e já sabem... enquanto quiserem eu continuo, beijinhos a todos)
segunda-feira, 17 de maio de 2010
Com vontade de ti - parte I
Acordei hoje com vontade de ti, ainda os olhos estavam fechados e já o teu corpo nú passeava na minha mente, conhecia de cor cada traço do teu corpo, embora apenas tivéssemos juntos uma só vez… mas tu não és vinho rasca que se bebe de um só trago para nem sentir o gosto amargo que fica na boca… não… tu és casta única, em que cada trago nos faz sentir Deuses, pois só os Deuses tem poder para desfrutar de algo tão divinamente bom e inesquecível… Decidi portanto apreciar o que tinha no colo e bebi-te pacientemente, saboreei-te em cada toque, em cada beijo, em cada gota de vinho que deliciosamente fazias escorrer em ti…
A noite tinha chegado ao fim quando caímos de cansaço perdidos nos braços um do outro, envolvidos no calor da paixão que ainda se fazia sentir, encharcados num suor delicioso tão nosso… adormecemos com a pele húmida, sem vontade de apagar os vestígios da paixão que tínhamos vivido naquele quarto. E agora ao acordar tu já não estavas aqui apesar do teu lugar junto a mim ainda estar deliciosamente morno, a sussurrar o teu nome com prazer… Deixei-me escorregar lentamente para o lugar onde as marcas do teu corpo ainda se faziam sentir, para me deixar ficar um pouco mais em ti, deixar prolongar a memória daquele prazer a dois, mesmo contigo ausente. Ao faze-lo fui capaz de te sentir o gosto, o cheiro, o toque quente da tua pele na minha… e de repente, um arrepio percorreu-me o corpo ao lembrar-te… ao lembrar nós dois nesta cama… as loucuras, as horas de amor em que nos perdemos um no outro, em que ninguém saberia distinguir onde acabava o meu corpo e começava o teu… nossos cheiros misturados, criando uma fragrância única a paixão e desejo… a loucura regada de amor.
Levantei-me e saí do quarto tal como vim ao mundo… para quê vestir roupa, quando me vestia de ti… de nós. Ao entrar na sala vi os vestígios deixados por nós na noite anterior… velas de odor a canela espalhadas cuidadosamente na noite anterior quando disseste que sim ao meu convite para jantar, dois copos de vinho meio esquecidos entre as pétalas de flores agora murchas… hum, que bom recordar aquele brilho no teu olhar ao chegares e veres o carinho com que tinha decidido seduzir-te. Sim… porque tinha decidido seduzir-te e tu sabias desde o segundo em que te convidei para jantar… só não sabias que tinha decidido mostrar-te que não eras apenas mais uma conquista… que valias a pena tudo e mais um pouco… que o teu olhar quente fazia-me querer mais do que um olhar… esse teu cheiro não me saciava os sentidos… antes pelo contrário, fazia-me querer cheirar-te mais… e que os teus lábios deliciosamente molhados faziam-me querer passar uma noite inteira a beber-te, a saciar a minha sede que mais parecia vicio, quanto mais te bebia mais sede tinha… Hum que vontade louca de ter-te outra vez aqui… tu não sabes, mas acordei com vontade de ti e nada, nem ninguém me sacia esta vontade, só tu.
Ouvi um barulho vindo da cozinha e pensei que a empregada tinha chegado bem cedo hoje… que pena… ia roubar-me o teu cheiro, os vestígios da nossa noite mais cedo do que gostaria. Decidi voltar ao quarto para me vestir, não estava propriamente apresentável, quando ouvi tua voz chamar por mim… Corri ao teu encontro, tal qual adolescente… Vi-te sem roupa também, visão absolutamente fabulosa… ainda por cima cozinhavas, tinha coisa mais sensual do que ver alguém cozinhar sem roupa, despreocupadamente natural… preparavas o pequeno-almoço… hum… estava no céu. Cheguei por trás de ti e abracei-te, deixei que o meu corpo se arrepiasse novamente ao contacto com o teu e numa fracção de segundos o desejo voltou arrebatadoramente. Arranquei-te ao fogão, beijei-te sofregamente e sem pensar em mais nada deitei-te no balcão da cozinha… queria-te em mim novamente e possui-te outra vez, logo pela manhã a começar o dia… possui-te com vontade, com desejo, com paixão… com amor. Quando nossos corpos se fundiram outra vez e caí de rosto exausto mas satisfeito no teu peito, disseste-me quase em surdina…
- Bom dia meu amor…
- Bom dia…
- Dormiste bem? – perguntou.
- Deliciosamente bem e já agora para que saibas… Acordei com vontade de ti.
- A sério?? Ainda não tinha percebido. – disse numa gargalhada doce mas satisfeita.
por Isabel Reis
todos os direitos reservados
A noite tinha chegado ao fim quando caímos de cansaço perdidos nos braços um do outro, envolvidos no calor da paixão que ainda se fazia sentir, encharcados num suor delicioso tão nosso… adormecemos com a pele húmida, sem vontade de apagar os vestígios da paixão que tínhamos vivido naquele quarto. E agora ao acordar tu já não estavas aqui apesar do teu lugar junto a mim ainda estar deliciosamente morno, a sussurrar o teu nome com prazer… Deixei-me escorregar lentamente para o lugar onde as marcas do teu corpo ainda se faziam sentir, para me deixar ficar um pouco mais em ti, deixar prolongar a memória daquele prazer a dois, mesmo contigo ausente. Ao faze-lo fui capaz de te sentir o gosto, o cheiro, o toque quente da tua pele na minha… e de repente, um arrepio percorreu-me o corpo ao lembrar-te… ao lembrar nós dois nesta cama… as loucuras, as horas de amor em que nos perdemos um no outro, em que ninguém saberia distinguir onde acabava o meu corpo e começava o teu… nossos cheiros misturados, criando uma fragrância única a paixão e desejo… a loucura regada de amor.
Levantei-me e saí do quarto tal como vim ao mundo… para quê vestir roupa, quando me vestia de ti… de nós. Ao entrar na sala vi os vestígios deixados por nós na noite anterior… velas de odor a canela espalhadas cuidadosamente na noite anterior quando disseste que sim ao meu convite para jantar, dois copos de vinho meio esquecidos entre as pétalas de flores agora murchas… hum, que bom recordar aquele brilho no teu olhar ao chegares e veres o carinho com que tinha decidido seduzir-te. Sim… porque tinha decidido seduzir-te e tu sabias desde o segundo em que te convidei para jantar… só não sabias que tinha decidido mostrar-te que não eras apenas mais uma conquista… que valias a pena tudo e mais um pouco… que o teu olhar quente fazia-me querer mais do que um olhar… esse teu cheiro não me saciava os sentidos… antes pelo contrário, fazia-me querer cheirar-te mais… e que os teus lábios deliciosamente molhados faziam-me querer passar uma noite inteira a beber-te, a saciar a minha sede que mais parecia vicio, quanto mais te bebia mais sede tinha… Hum que vontade louca de ter-te outra vez aqui… tu não sabes, mas acordei com vontade de ti e nada, nem ninguém me sacia esta vontade, só tu.
Ouvi um barulho vindo da cozinha e pensei que a empregada tinha chegado bem cedo hoje… que pena… ia roubar-me o teu cheiro, os vestígios da nossa noite mais cedo do que gostaria. Decidi voltar ao quarto para me vestir, não estava propriamente apresentável, quando ouvi tua voz chamar por mim… Corri ao teu encontro, tal qual adolescente… Vi-te sem roupa também, visão absolutamente fabulosa… ainda por cima cozinhavas, tinha coisa mais sensual do que ver alguém cozinhar sem roupa, despreocupadamente natural… preparavas o pequeno-almoço… hum… estava no céu. Cheguei por trás de ti e abracei-te, deixei que o meu corpo se arrepiasse novamente ao contacto com o teu e numa fracção de segundos o desejo voltou arrebatadoramente. Arranquei-te ao fogão, beijei-te sofregamente e sem pensar em mais nada deitei-te no balcão da cozinha… queria-te em mim novamente e possui-te outra vez, logo pela manhã a começar o dia… possui-te com vontade, com desejo, com paixão… com amor. Quando nossos corpos se fundiram outra vez e caí de rosto exausto mas satisfeito no teu peito, disseste-me quase em surdina…
- Bom dia meu amor…
- Bom dia…
- Dormiste bem? – perguntou.
- Deliciosamente bem e já agora para que saibas… Acordei com vontade de ti.
- A sério?? Ainda não tinha percebido. – disse numa gargalhada doce mas satisfeita.
por Isabel Reis
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