Entre Sonhos e Sorrisos...

Entre Sonhos e Sorrisos...
"Vou-me "vestindo" da vida enquanto ela se vai "despindo" de mim..."

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Sede de mulher...


Fui em busca de ti… sem ver
Sem o pensar ou até saber…
Fui como que perdida
Seguindo o rasto de um cheiro
Que julguei familiar
Dei de encontro contigo…
…senti-me voar…

Despi-me então de uma vida
E do que nela me prende
Deixei que o corpo nú… te tocasse
Que o olhar ansioso… te procurasse
Que o coração solitário… te sentisse
E que a alma sedenta… t’encontrasse.

Ao chegar tomaste conta de mim
Sem pensar deixei-me levar…
Entreguei nessas tuas mãos
Este amor que me consome
O desejo ardente que me transborda
A saudade louca que ninguém quer
Apenas sede de mulher
Numa busca por encontrar
O amor que não soube amar…


Texto por Isabel Reis
todos os direitos reservados

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Conversas de Supermercado...


A história que vos conto é toda ela verídica… Não identifico os intervenientes… porque também não os conheço… e assim não também não tenho necessidade de lhes dar nomes falsos para que ninguém os possa identificar… :D… E aconteceu-me este sábado quando passeava com uma amiga num hipermercado bastante conhecido mas que não divulgo porque isso seria fazer publicidade gratuita e não sou assim tão benemérita quanto isso…

Ora então quantos de nós enquanto andamos a fazer compras apanhamos conversas a meio que não fazemos intenção de ouvir mas que a proximidade propicia a isso mesmo? Julgo que quase todos… conversas daqueles que como nós desesperam na luta por decidir o que comer, ou o que falta em casa na despensa mas que poucos se lembram de anotar antes de fazer a tão malfadada “viagem” ao hipermercado da zona e ter que encarar as caixas cheias de gente cansada e aborrecida, os corredores a transbordar de “turistas” indecisos e o ar saturado que nos deixa a todos com um mau humor terrível se passamos lá mais tempo do que o desejado.

Pois então íamos nós na busca por uma melancia madura e suculenta que nos refrescasse a noite quente e abafada… culpa de um calor doentio que nos ataca impunemente e deixa a todos de pele pegajosa, mesmo que tenhamos acabado de sair de um banho frio… Íamos nós nesta demanda quando passamos por um casal com um ar muito desolado e abatido junto da banca cheia de fruta fresca e apetitosa, acabada de sair do frigorifico onde permanece guardada mais tempo do que deveria, de forma a manter-se com aquele aspecto sedutor que dura pouco mais do que a viagem do dito hipermercado até ao destino…

A minha amiga ia um pouco mais à frente, ou eu é que tenho um passo mais lento/pequeno (vá-se lá saber), sei que por isso não apanhou a conversa do dito casal a meio como eu… e não passou a vergonha que eu passei já que tem reacções que são simplesmente incontroláveis e a minha foi…

Dizia o rapaz para a namorada com um ar bastante esperançoso quando eu me chegava perto… (e relembro que apanhei a conversa a meio, ele já falava quando passei)
-…queres fazer… amor?
Ao que ela responde com o ar mais desolado… abatido e enfadonho que já vi nos últimos tempos… (quem sabe culpa do dito calor doentio)
- Nãooooo (diz desoladamente)… dá muito trabalho…

A minha reacção mostrou-se automática… desatei às gargalhadas e sozinha que estava o povo em redor tomou-me por tolinha… (quem sabe serei, mas perante uma conversa destas só dava para rir mesmo).

É certo que deduzi perfeitamente que o rapaz não deveria estar a perguntar à querida se queria fazer O TAL DO AMOR… e sim outra coisa qualquer… mas a conversa foi apanhada a meio como disse… e teve o efeito instantâneo de me arrancar um acesso de gargalhadas e tornar a malfadada “viagem” bem mais divertida… certo é que passei o resto da viagem mais atenta aos “turistas” em meu redor… para ver se tinha a sorte de me cruzar com mais uma pérola destas… e por acaso até tive… mas essa é um pouco indecente para contar aqui onde passeiam olhares menores e não quero ser culpada de corromper a inocência infantil… :)


texto por Isabel Reis
todos os direitos reservados

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Gargalhadas cozinhadas

Lá no alto daquela serra
Onde t’entregaste… eu m’entreguei
Onde fui rainha… tu foste rei
Onde o rio perante nós se curvou
Naquela serra qu’ o nosso riso desbravou…

Fomos/viemos ao sabor do vento
Naquele gosto tão a contento
Que trouxe com ele a canção
Que se ouviu e se sentiu
Na partitura do coração…

Música nascida ao nosso jeito
Nas gargalhadas tão a preceito
Cozinhadas em tachos de papel
Temperadas a sal que sabe a mel
Gravadas em memórias de cordel
No sonho que carrega o carrocel…


texto por Isabel Reis
todos os direitos reservados

Quem me diz...


Labirinto este onde vagueio
Sem rumo… E com destino incerto
Onde o copo já vai mais de meio
E a tempestade já está perto…

Não consigo lembrar como cá cheguei
Nem sequer o lugar de onde parti
Será que vim à força ou m’atirei
Porra… quem me diz como cheguei aqui???

Alguém pode m’ajudar a perceber
Será que foi vontade de esquecer,
Ou não lembro mesmo de o ter feito?

E esta angústia no meu peito?
E as perguntas que ficam por fazer?
Sinto que parto sem chegar a saber…



soneto por: Isabel Reis
foto por: Nuno Tavares
todos os direitos reservados