Nas memórias daquele tempo…
…revivo um mundo que ficou para trás…
…recordações de sorrisos… mas lágrimas também…
…lágrimas pelas asneiras que não planeei fazer… mas fiz
…sorrisos traquinas pelas que fiz e consegui escapar…
…pelos momentos que são meus para guardar…
Nas ondas de um mar sereno/tempestuoso…
…ouço gargalhadas de crianças onde me reencontro…
…jogos da bola onde me esqueci das horas…
…tombos perdidos na areia fina…
...a voz doce de uma certa menina…
No céu escurecido/envelhecido…
…pela tempestade que se avizinha…
…revejo o tempo de voltar à escola…
…quando a brincadeira ficava p’ra trás…
…quando espreitava pela janela…
…relembrando o verão que já não via nela…
Num pontão perdido no espaço…
…namorado apenas pelas ondas do mar…
…em que as visitas já não são crianças…
...mas saudosistas querendo “voltar”…
…regresso também… mas em passos crescidos…
…sonhando um tempo que já lá vai…
…lembrando sonhos até agora esquecidos…
…resgatando sorrisos um dia vividos.
texto por Isabel Reis
foto por Filipe Carmo
todos os direitos reservados
A madrugada encontrou-me hoje carente de um bom dia teu... um bom dia único, daqueles que só tu me dás... hoje acordei com fome de ti... dos teus dedos suaves a percorrer a minha pele... o meu corpo... até me chegar à alma... acordei com fome do calor do teu beijo a aquecer-me o coração... com fome da tua voz no meu ouvido a dar-me aquele "Bom dia…" sussurrante que me faz viajar…
O dia fez-me acordar contigo do meu lado... e o meu sorriso rasgou-se de orelha a orelha quando me tentei chegar um pouco mais em busca desse teu cheiro, que já chegava a mim ainda eu viajava nos teus braços no mundo dos sonhos, tu foste-te... desvaneceste-te como fumo à minha frente... e eu fiquei desconsolada por acordar... por ver que apesar de acordada ainda continuava a sonhar...
Quem sabe… talvez a noite te traga de volta ao meu colo como naquele tempo… aquele onde nos cruzamos… onde nos vivemos… onde nos entregamos…
Quem sabe… talvez as estrelas me façam hoje adormecer no teu colo como quando me carregaram nos seus braços para me entregarem delicadamente nos teus… e onde juntos vimos a noite estrelada em tons de um amarelo sonhador… e onde adormecemos nas réstias de um amor amado… nas gotas de um suor cansado… na promessa de um “até já” de sonhos… sonhos de um amor sonhado.
por Isabel Reis
todos os direitos reservados
Hoje estou com a "pele" à flor da pele... hoje estou com o sonho a querer voar pela noite dentro... e de estrela cadente em estrela cadente chegar perto de ti... beijar-te ternamente, deitar-te no meu colo e fazer-te/ver-te dormir até que a manhã chegue...
Hoje estou contigo no meu colo e não te quero deixar partir… quero que o tempo se demore pela noite adentro, que as estrelas se encantem neste nosso encantamento… e que a lua se demore a deitar…
Hoje estou contigo em pensamento… na empatia de um momento… na empatia que virou sentimento… empatia que nasceu do encantamento de nos sabermos encantar.
por Isabel Reis
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Estás comigo e em mim... até mesmo quando não estás... até quando a lua se deita e é o sol quem me acompanha e me mima, tentando fazer-me esquecer a saudade que me queima por não te ter... desiste... não consegue... deixa que a lua volte... quem sabe... talvez consiga.
Estás comigo e em mim... até nas horas que não te lembro... que não te sinto... nas horas que te desejo sem saber…
Estás comigo e em mim... e a lua volta... sinto-a chegar... mesmo sem a ver… volta imponente num céu só seu... volta uma vez e outra mais, intervalada por um sol teimoso que não me larga... juntos vão tentando arrancar-me de ti com os seus carinhos desmedidos... tentam fazer-me esquecer o teu toque nos raios de sol quente que me acariciam... tentam arrancar-me o teu cheiro numa praia de areia fina, salgada por um mar que não a consegue deixar... tentam impedir-me de te sonhar oferecendo-me de bandeja um céu pintado a estrelas cadentes com os suspiros das ondas a embalar-me os sonhos… tentam pela calada que te esqueça… mas…
…mas tu estás comigo e em mim até mesmo quando não estás… ou não queres estar… entraste em mim lentamente… tão lentamente quanto me deixaste a ti chegar… sem nenhum dos dois perceber o que se estava a passar… e agora de mim já ninguém te consegue arrancar.
por Isabel Reis
todos os direitos reservados