Entre Sonhos e Sorrisos...

Entre Sonhos e Sorrisos...
"Vou-me "vestindo" da vida enquanto ela se vai "despindo" de mim..."

domingo, 9 de janeiro de 2011

Urgência que te consome...

Traz contigo essa urgência que te consome…
…e encosta-te a mim…
Encosta esse teu corpo em brasa…
…que me arrasa…
Deixa-o desbravar os vales e montes…
Deixa-o percorrer os trilhos por descobrir…
Deixa-o sentir o vulcão prestes a explodir…

Traz contigo essa urgência que te consome…
…e consome-te comigo…
Deixa que a noite te guie pelo caminho sem retorno…
Deixa que te leve rio abaixo entre suor e paixão…
Deixa que te consuma no fogo da perdição…

Traz contigo essa urgência que te consome…
…e vem… não te retraias…
…não te deixes prender em amarras imaginárias…
…deixa que os sentires se cruzem…
…deixa que os quereres se toquem…
…não deixes que os desejos se sufoquem…


por Isabel Reis (Cinderela das Histórias)
todos os direitos reservados

Tomei-me de assalto...

(de repente)
Chegaste quando não queria…
…e toda eu me tomei de assalto…
…sufoquei a razão… aprisionei o coração…
…impedi-me de pensar…deixei-me levar…

(lentamente)
Chegaste-te a mim…
…e ao de leve deixei-me dominar…
… por esse teu jeito sem jeito…
…por esse olhar sem me olhar…

(infelizmente)
Deixei que o sentir m’ inebriasse…
…sem tão-pouco dar luta…
…num querer sem dever…
…numa tortuosa disputa…
…de gostar sem poder…

(eventualmente)
Tive que libertar a razão…
…esquecer o sentir…
…abafar o desejo…
…sufocar o coração…

por Isabel Reis
todos os direitos reservados

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Sou o que fui...



Sinto o passado rodear-me silenciosamente
Sinto o presente como se de um fantasma se tratasse
Sinto que o futuro se perdeu no caminho
Sinto que a minha vida se foi antes que a esperasse...

e com isso...

Vou-me sangrando em cada dor que não grito
Vou-me doendo em cada suspiro que contenho
Vou-me ficando em cada passo que recuo
Vou-me matando em cada sorriso que empenho...

e por isso...

Sou como parte de um eu que já foi
Sou como um ser que partiu sem chegar
Sou como alguém que chorou ao sorrir
Sou como fui antes de saber amar...


texto por Isabel Reis
foto por Filipe Carmo
todos os direitos reservados

Inverno do meu sentir...

Chuva salgada que me encharcas o sentir

Que percorres estas ruas escuras sem me olhar

Que molhas as valetas desertas onde vou ficando

Que inundas as tristezas onde me vou quebrando

Que matas as esperanças onde me vou segurando…



Inverno tempestuoso que chegaste sem avisar

Vais arrancando as flores que plantei durante o caminho

Vais tapando o sol enquanto ele tenta a toda força ficar

Vais escurecendo esse dia que ainda agora nasceu

Vais mortificando esta alma que tão prontamente se deu…



Inverno do meu ser que m’impedes de vibrar

Inverno do meu ser… que m’ impedes de sentir

Inverno… ai inverno… de que me adianta cá chegar

Senão tenho eu inverno… a liberdade de partir…



texto por Isabel Reis
todos os direitos reservados